Fichamento do livro "Lições de Arquitetura" de Hertzberger
A - Domínio público
A oposição entre o público x privado (coletivo e privado) e como isso se torna uma maneira para perceber os espaços a partir da intepretação interpessoal e da consciência de grau de relevância da demarcação territorial. A forma de acesso aos espaço contribui para essa percepção, sendo os diferentes modelos de porta um exemplo disso: portas de vidro não são iguais às toda fechadas. O espaço de uso comum é uma extensão da vida social e a sua separação do espaço privado deve ser gradual pela criação de áreas intermediárias. A arquitetura desses espaços de domínio público é pensada para funcionar junto com as diferentes interpretações das pessoas e grupos ao mesmo tempo que permite a identificação individual e a possibilidade de experiências coletivas e sociais em que todos se sintam convidados.
B - Criando espaço, deixando espaço
A arquitetura deve permitir a polivalência das unidades de uma estrutura ao mesmo tempo que essas são suficiente por si só. O uso real de cada espaço só é definido pela experiência do usuário, assim dependendo do seu contexto sociocultural e temporal, sua finalidade e do nível de definição deixado pelo projeto. O projeto universal deve existir para funcionar como a base que garante a harmonia e sentido da estrutura como um todo, mas ainda deve respeitar a competência e as diferentes possibilidades de desempenho. A forma de análise de um edifício proposta no livro de uma "cidade como grande casa" e "casa como uma pequena cidade" explicita a existência de áreas que representam necessidades que se alteram de acordo com a realidade dos usuário e, assim, evidencia a importância de se deixar espaços para criações e adaptações.
“A unidade de meios inerente a um ordenamento da construção pode nos lembrar a classificação dos estilos arquitetônicos, de acordo com a qual o onipresente estilo classicista vai ao encontro, de modo ostensivo, dos critérios que estabelecemos para um ordenamento da construção. Num estilo arquitetônico cada elemento tem sua função fixa e se deixa combinar com outros de acordo com regras específicas.”
“O ordenamento de construção de um projeto é o resultado de uma compreensão mais profunda dos usos que lhe serão atribuídos, agora e no futuro. O ordenamento de construção antecipa deste modo o "desempenho" e [...] uma "competência" é (re)construída por meio de um processo indutivo.”
C - Forma convidativa
Os elementos presentes em um espaço devem, pela sua forma e disposição, sugerir as possibilidades de uso de uma pessoa ou grupo. A ambiguidade causada cria espaços com múltiplas interpretações e motiva a criatividade dos usuários, ao mesmo tempo que sugere uma clareza espacial. A forma arquitetônica induz e orienta o comportamento pela sua flexibilidade e faz com que as pessoas se sintam convidadas a participar da criação do espaço.
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